segunda-feira, 18 de maio de 2026

o que vemos, o que nos fala

 altair martins

               O que vemos, o que nos fala O que vemos, o que nos fala tem sua origem no convite feito por Flávio Krawczyk, diretor do acervo artístico de Porto Alegre, e por Adriana Boff, coordenadora de Artes Plásticas da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, para escolher obras do acervo da Pinacoteca Ruben Berta e escrever sobre elas. Trata-se de um desafio: uma curadoria pela palavra. Conta também com o apoio do Instituto de Cultura da PUCRS.


            São bastante conhecidas as relações entre a literatura e as artes visuais. Esse tema da comparação entre as artes (o paragone) ganhou força durante o Renascimento, levando artistas como Leonardo Da Vinci a declararem que “A pintura é uma poesia muda e a poesia uma pintura cega" (LICHTENSTEIN, 2005, p. 19). Talvez por provocação, talvez por encantamento ou por genialidade, o poeta Carlos Drummond de Andrade, em Farewell, livro lançado postumamente em 1996, incluiu uma seção de poemas a que chamou de a arte em exposição. Aí o poeta mineiro "poetizou" brevemente obras de 27 pintores e escultores, desde o Renascimento até Cândido Portinari. Visível em Drummond é a abordagem, via palavras, do não dito nas artes visuais, o que acaba poeticamente interpretado, revelado e, lógico, recriado.


            De fato, parece que poesia pode reavivar a visualidade das obras a que se refere, mas também se potencializar a partir delas. É dizer que se trata de uma poética em trânsito, "paragônica", aspecto perceptível por Italo Calvino na Visibilidade de Seis propostas para o próximo milênio, a saber, as capacidades de evocação da imagem pelas palavras a partir da cultura e da experiência sensível:


Digamos que diversos elementos concorrem para formar a parte visual da imaginação literária: a observação direta do mundo real, a transfiguração fantasmática e onírica, o mundo figurativo transmitido pela cultura em seus diversos níveis, e um processo de abstração, condensação e interiorização da experiência sensível, de importância decisiva tanto na visualização quanto na verbalização do pensamento. (CALVINO, 1990, p. 110)


            Para esta exposição, o ponto de partida foi Didi-Huberman (O que vemos, o que nos olha). Buscou-se estabelecer o diálogo possível entre a imagem e seus ecos linguísticos, ou “linguagéticos”, no dizer do semiólogo Louis Marin: propor diálogo entre o visível e o suscetível, entre os significantes visuais e verbais que se entrelaçam toda vez que olhamos uma imagem e toda vez que lemos um texto. Didi-Huberman explicita que, dentro da imagem, discursos competem entre si, e as conexões de sentido fazem “de um simples plano ótico, que vemos, uma potência visual que nos olha na medida mesmo em que põe em ação o jogo anadiômeno [a partir de Vênus anadiômena, “a que sai das águas”], rítmico, da superfície e do fundo, do fluxo e do refluxo, do avanço e do recuo, do aparecimento e do desaparecimento” (DIDI-HUBERMAN, 2010, p. 33). Logo, a imagem de arte se abre em tautologia (o que é evidente aos olhos e que se “colhe” da imagem) e crença (o que é essencialmente da ordem da cultura, a desmatéria com que preenchemos a imagem). Ora, se a imagem também fala, é preciso escutá-la: captar suas vozes num diálogo infinito. Não se trata de dizer o que as imagens dizem, mas de dar vazão aos seus possíveis conteúdos linguísticos, buscando, em verso, dar corda às suscitações visuais. O resultado são 20 poemas acerca de 20 obras do acervo da Pinacoteca Ruben Berta, tendo como base uma escolha quase alheia à historiografia, que responde ao que as imagens puderam falar: sobre seu contexto artístico, sobre si mesmas. As obras, num escopo do séc. XIX ao XX, passando por clássicos desde Pedro Américo, Almeida Júnior e Di Cavalcanti às revoluções de Mário Gruber, Vilma Pasqualini e Tomie Ohtake, acabam por ilustrar que uma imagem exige que atentemos às suas referências intertextuais, leituras da própria crítica e da história das obras e dos artistas. Tudo vale: informações, estética individual e coletiva.


           Cabe dizer, ainda, que tanto a imagem visual é irredutível ao discurso verbal quanto as palavras são matéria de outra ordem, uma ordem que não se limita ao descritivo das impressões visuais. Por isso, longe do rigor de um trabalho científico, o resultado esperado é o deleite, como o trabalho artístico a que a palavra aqui se destina.

Altair Martins



Referências ANDRADE, Carlos Drummond de. Farewell. Rio de Janeiro: Record, 1996. CALVINO, Italo. Seis propostas para o próximo milênio. Trad. Ivo Barroso. São Paulo: Cia. das Letras, 1990. DIDI-HUBERMAN, Georges. O que vemos, o que nos olha. Trad. Paulo Neves. São Paulo, Editora 34, 2010. LICHTENSTEIN, Jacqueline (Org.). A pintura - vol 7: O paralelo das artes. Trad. Magnólia Costa. São Paulo: Editora 34, 2005.


de 24/01/2019 a 01/03/2019


O que vemos, o que nos fala


CLAUDIA PAIM: CORPOPAISAGEM

Claudia Paim: uma artista múltipla
Abordar essa exposição seria impossível sem me reportar às memórias marcantes de um tempo prazeroso de amizade e parceria artística com Claudia Paim (1961–2018). Conheci a artista no início dos anos 2000, quando a escrita e a admiração recíproca nos aproximaram. Com o tempo, cada qual trilhando seu caminho, perdemos o contato, até que, em 2013, nos encontramos na rua, por acaso, e eu a convidei para visitar uma intervenção minha, que estava acontecendo naquele momento. Durante a visita, Claudia realizou uma performance de modo espontâneo, no ambiente da intervenção, que constava de uma rede de pesca suspensa em uma árvore. Registrei a performance em vídeo e em fotografias, e rapidamente houve uma compreensão mútua de que poderíamos elaborar um trabalho conjunto. Alguns meses depois, realizávamos a primeira exposição em parceria, no Plataforma Espaço de Criação, então coordenado pelos artistas Clóvis Martins Costa e Lizângela Torres.


O que mais nos marcou, naquele momento, foi a liberdade: todas as decisões eram somente nossas, desde a seleção dos trabalhos até a montagem. Não convocamos curadoria, nem nos preocupamos com um texto de apresentação. Simplesmente reunimos imagens de ambas, que selecionamos dos arquivos digitais preservados em nossos HDs. Tudo fluía dentro da consciência de um tempo harmonioso e exuberante. Claudia Paim era, acima de tudo, uma alma independente. Imersa naquela proposição, ela decidiu acrescentar novos trabalhos e realizar uma performance inédita, a ser apresentada durante a abertura da mostra: em todos ela incluiria búzios coletados em praias do Uruguai e da cidade de Rio Grande. Foi quando lembrei das conchas que também tinha em casa, e então fotografei Claudia, no jardim do meu edifício, com mãos e conchas entre os cabelos, ou apenas segurando as conchas.


Várias foram as elucubrações poéticas durante esse movimento fecundo de ideias. Aquelas novas imagens eram a representação de um corpo e seus extremos (cabeça e mãos) se confundindo com a natureza, à qual acrescentamos significados relacionados com nossas visões de mundo. Vivíamos (e vivemos) situações limites: extremos climáticos, extremos político-sociais. Aquelas imagens poderiam ser, ainda, a transmutação de uma situação limítrofe, na qual as fronteiras se amalgamam e, inevitavelmente, se transformam. Mãos-cabelos-conchas-pedras-terra. Cabeça-corpo-natureza.


Claudia era forte, resiliente, imaginativa, bem-humorada, sem dramas. Poucos eram os obstáculos que ela não pudesse transpor. Se houvesse algum ranço de minha parte, em relação a algum iminente problema durante o processo de construção do trabalho, sua leveza e risada conseguiam desmanchar qualquer sombra. Como é possível imaginar, propostas conjuntas desdobram-se em um terreno delicado e, às vezes, com risco de grandes conflitos. No entanto, ela nada temia e inclusive sugeriu que nossos trabalhos (imagens e objetos, por exemplo) se posicionassem lado a lado nas exposições, formando uma única proposição. Como artista, Claudia Paim percebia a importância das práticas coletivas na contemporaneidade, tanto que desenvolveu pesquisa acadêmica sobre o assunto. Porém, de um modo muito mais amplo, sua obra magnetizava as pessoas em sua volta: a família, os amigos, os colegas, os artistas. Mesmo em suas atuações individuais – performances e ações em espaços públicos e na execução das fotoperformances – a participação do outro era inevitável. 
 

Foram inúmeras parcerias que ela estabeleceu ao longo de seu percurso artístico. O companheiro, músico e compositor Ulises Ferreti (falecido em 2014) fazia trilhas sonoras para seus trabalhos em vídeoarte, cuidava da sonoplastia de algumas de suas performances e instalações sonoras, além de fotografá-la em suas ações. Vários artistas integraram coletivos com Claudia, ou participaram direta ou indiretamente de seus projetos, fazendo registros importantes de sua obra, tais como: Luciano Zanette e Marcelo Gobatto (Coletivo POIS), Denis Rodriguez e Leonardo Remor (registros de performances), Ali do Espiríto Santo (videoperformance Não , 2016), Mauro Espíndola e Camila Leichter (Moinho Edições Limitadas), Leandro Machado, Claudio Maciel, Rodrigo Munhoz, Ali Khodr e Luciana Menna Barreto, entre outros.


Claudia Paim foi uma artista múltipla e generosa; uma artista que atuava tanto em coletivos quanto individualmente. Produzia instalações, performances, desenho, arte sonora, ação urbana, fotografia, objeto e poesia. Seu legado revela não apenas sua sensível e atenta personalidade, como a fluidez e a generosidade de seu “estar no mundo”: receptivo às pessoas, às coisas, aos espaços, aos seres. Enfim, uma artista aglutinadora e inesquecível que está aqui nesta exposição, com sua obra pulsante e transformadora. 

 

Dione Veiga Vieira

Porto Alegre, junho de 2019

de 29/06/2019 a 30/08/2019

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

ANIMALIS IMAGINIBVS Fabulações e Conexões


Esta exposição resulta de um encontro de vozes entoadas em três dimensões: imagéticas, sonoras e textuais. O sopro polifônico parte da confluência entre o artista visual Mauro Espíndola e seu heterônimo, o pseudocientista Emanoel Leichter, de onde deriva o projeto ANIMALIS IMAGINIBVS, uma pesquisa permeada pela coleta e observação de animais encontrados sem vida no Moinho da Capivara, localidade rural a cerca de 65km ao norte de Porto Alegre. No campo simulado das ciências naturais são concebidos desenhos, gravuras experimentais, livros, objetos e vídeo, impulsionados por fabulações e reflexões sobre a transitoriedade, instaladas no primeiro piso da Pinacoteca Ruben Berta.

Em uma coexistência no Moinho da Capivara, o artista convidado Marcelo Armani desenvolveu a peça “Habitat”, experimentações em sintonia com a paisagem sonora do lugar, uma escuta transitando entre notas e ressonâncias transferidas para uma intervenção no porão da Pinacoteca. Estes traços polifônicos são tratados pelo poeta, artista e crítico de arte Adolfo Montejo Navas em uma curadoria transbordante, instaurando um coro de múltiplas essências que extravasam o campo da crítica e incorporam intertextualidades sensíveis em escritas sustenidas ao redor de fecundas dicções.

 

exposição

ANIMALIS IMAGINIBVS - Fabulações e Conexões

Emanoel Leichter | Mauro Espíndola

 

instalação

HABITAT - instalação sonora hexafônica: Marcelo Armani

 

curadoria e textos: Adolfo Montejo Navas

 

PINACOTECA RUBEN BERTA

Rua Duque de Caxias, 973 - Centro Histórico - Porto Alegre

 

visitação: até 27 jan 2023

 

O projeto ANIMALIS IMAGINIBVS - Fabulações e Conexões conta com financiamento do Pró-cultura RS, Fundo de Apoio à Cultura-FAC, Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

 

 

Desideratum / Desejante

 

Já Maimônides, o filósofo árabe de Córdoba do século XII, colocou a imaginação no patamar mais alto do conhecimento sobre o resto das atividades humanas. E é precisamente como fruto dessa natureza plástica, maleável, mas também plausivelmente rigorosa ou científica que a pesquisa de Mauro Espíndola respira uma especulação linguística que é ao mesmo tempo temporal e cultural, sobretudo quando o que se divisa no horizonte é um museu imaginário que joga com a ciência e a taxonomia, o desenho, a monotipia e a cultura mais híbrida da imagem, aquela que repousa iconograficamente, incluso campo afora da arte. E em consequência, estabelece uma dialética com a memória e o presente, a vida e a morte como ciclos sempiternos, aliás, como vasos comunicantes do trabalho do artista. Onde de novo também aparece a figura identitária da heteronímia no nome do Dr. Emanoel Leichter, assim como os jogos da realidade e da ficção construindo sua própria indivisível teia de aranha, uma armadilha semântica que pode assombrar aos mais incautos ou fiéis dos maiores dogmas positivistas de que tudo é categorizável, só circula pelos mesmos canais que dita o chamado ainda melancolicamente progresso, com sua ordem impositiva, linear, nunca cosmológica. De fato, nesta aventura plural do artista: de pesquisa, de construção, de apresentação de certo bestiário, se pode contemplar um inventado tratado visual que tem como correlato as expressões latinas, porém funcionando na base da aparência para subverter o que esta língua morta ainda pode significar quando a ironia visual e conceitual eleva seus significados. O inventário gráfico relata uma coleta de restos de animais: mariposas, borboletas, insetos, batráquios, répteis... cuja apresentação é oferecida como um antigo tratado de estúdio. No fundo, a criação de uma topologia artística que responde ao locus de um lugar quase não-lugar, porque sobre eles gravitam, por partida dupla, a sensação de estranheza e de pertença. De estar numa margem em que o tempo habita de forma diferente o espaço… obrigando a escutar tudo como semente, genealogia, parentesco, em suma, incorporação, melhor, encarnação. Assim, de novo, a arte se imiscui em territórios limítrofes, desenha, fotografa, filma situações em que o canto da vida animal se submerge no húmus da matéria, no magma que absorve tudo para que o giro das coisas, a ronda do mundo continue com suas metamorfoses. Daí que a glória, a impermanência, a ruína, a vidência, a aura, os segredos da observação, o trânsito, a imortalidade, o umbral, thanatos e o espírito estejam com suas legendas a pé de imagem propondo sua leitura enigmática, aparentando a forma e considerações de um novo desideratum que religa uma expografia que é uma fábula visual. ANIMALIS IMAGINIBVS tem esse recurso de ser uma oferenda que olha a roda da vida em seu segredo físico, matérico, uma nova investigação que pede asas próprias, seu desejo de pictura desvendada.

 

 

 

Adolfo Montejo Navas - agosto de 2019

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Exposição Maresia, na Pinacoteca Aldo Locatelli



JERONIMUS VAN DIEST - “O Rejalma” - 1673 - óleo sobre tela
Acervo Pinacoteca Ruben Berta
foto F.Zago-StudioZ

É uma das marcas da cultura porto-alegrense, assim que as temperaturas ficam gradativamente mais elevadas, acorrer ao litoral. Saudades da maresia, ali, a uma distância segura da capital desprovida do tempero do mar. Para quem fica ou chega com os olhos ainda lembrados do mar, a Pinacoteca Aldo Locatelli apresenta uma exposição de marinhas.
Na pintura, o gênero marinha não é restrito à representação do litoral, dos diferentes tipos de embarcações e das batalhas navais. Como conceito ampliado, inclui também as paisagens de lagos, rios e estuários. Mesmo que desde a distante Antiguidade objetos decorativos já apresentassem estas representações, é somente a partir do final da Idade Média que começam a surgir pintores especializados no tema, indicando a gradativa consolidação do gênero. Porto Alegre, cercada pelo Guaíba, também é digna de inspirar representações de marinhas. Veja as obras de Regina Silveira e Vicente Cervasio.
No entanto a obra que é o exemplo mais sólido de marinha é a pintura holandesa “Rejalma” de Jeronimus Van Diest, datada de 1673 e a mais antiga do acervo da Prefeitura de Porto Alegre. Esta é uma oportunidade ímpar de apreciar uma tela que é sintomática do surgimento de uma clientela favorável para grandes artistas que se especializaram em pintar navios e o mar.
 Ainda tem mais para quem quer um pouco do mar no coração de Porto Alegre (Paço dos Açorianos).  Integrando a mostra “Maresia”, aberta para visitação a partir de 17 de dezembro, estarão expostas 26 pinturas de inúmeros artistas, brasileiros e estrangeiros, que por diferentes caminhos estéticos abordaram a temática. 

REGINA SILVEIRA - “Barcos” - sem data - óleo sobre tela
Acervo Pinacoteca Aldo Locatelli
foto Leopoldo Plentz


VICENTE CERVASIO - Sem título - sem data - óleo sobre tela
Acervo Pinacoteca Aldo Locatelli
foto F.Zago - StudioZ

ANA ISABEL LOVATTO - Sem título (da série “Praias”) - 2003 - tinta acrílica sobre tela
Acervo Pinacoteca Aldo Locatelli
foto F.Zago- StudioZ

 Artistas participantes:


ANA ISABEL LOVATTO (Porto Alegre, 1955) - ANGELO GUIDO (Itália, 1893 – Pelotas, 1969) - BENEDITO CALIXTO (Conceição do Itanhaém/SP, 1853 – São Paulo, 1927) - DANÚBIO GONÇALVES (Bagé, 1925) - DI CAVALCANTI (Rio de janeiro, 1897-1976) - ELISEU VISCONTI (Itália, 1866 – Rio de Janeiro, 1944) - J. BARONI CORREA - JERONIMUS VAN DIEST (Holanda, 1631-1675) - JORGE COSTA PINTO (Salvador, 1916-1993) - HELOISA SCHNEIDERS DA SILVA (Porto Alegre, 1955-2005) - JORGE PAEZ VILARÓ (Montevidéu, 1922-1994) - LEOPOLDO GOTUZZO (Pelotas, 1887 – Rio de Janeiro, 1983) - MARILICE CORONA (Porto Alegre, 1964) - MÁRIO RÖHNELT (Pelotas, 1950) - OSCAR CRUSIUS (Porto Alegre, 1904-1991) - P. COSTA - PEDRO WEINGARTNER (Porto Alegre, 1853-1929) - REGINA SILVEIRA (Porto Alegre, 1939) - RENATO HEUSER (Porto Alegre, 1953) - RUBENS COSTA CABRAL (Porto Alegre, 1928-1989) - SÉRGIO TELLES (Rio de Janeiro, 1936)  

PINACOTECA ALDO LOCATELLI
Paço dos Açorianos 
Praça Montevidéu, nº 10 - Centro Histórico de Porto Alegre. 
Visitação: 17 de dezembro de 2018 a 15 de dezembro de 2019. 
Segunda a sexta: 9h às 12h e 13h30 às 18h 
Entrada gratuita.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Clássicos na Pinacoteca: Violão e flautas na Pinacoteca Ruben Berta





O Auditório Briane Bicca da Pinacoteca Ruben Berta receberá uma nova edição do Projeto Clássicos na Pinacoteca. Trata-se do recital “Fernanda Krüger Convida Flautistas”, reunião de quatro instrumentistas atuantes no cenário musical do Rio Grande do Sul. Fernanda Krüger, Clarissa de Godoy Menezes, Cláudia Schreiner e Eliana Vaz Huber, profissionais do violão, da flauta doce e da flauta transversa, são também colegas de instituição, trabalhando na área de educação musical do Instituto Federal do Rio Grande do Sul - Campus Porto Alegre: as quatro musicistas são professoras do Projeto Prelúdio e do Curso Técnico em Instrumento Musical. Esta proximidade fez com que, em diversos momentos, Fernanda se reunisse com cada uma delas para realizar música de câmara em apresentações dentro e fora da instituição. Assim, o recital surgiu da ideia de congregar esta parceria que já ocorre a alguns anos entre as musicistas.
O repertório escolhido contará com obras para violão solo, para trio de flautas doces e obras para flauta doce e violão e para flauta transversa e violão. Esta apresentação mostrará compositores consagrados do repertório erudito violonístico, como Matteo Carcassi (1792-1853) e Heitor Villa-Lobos (1887-1959), mas também Aníbal Augusto Sardinha (1915-1955), conhecido como Garoto, importante influência para a bossa nova. Trará obras de uma época de grande importância para a flauta doce, o Barroco, como a música de Jean-Baptiste Loeillet (1680-1730). Haverá ainda obras de câmara de compositores da cena musical gaúcha e brasileira: Bruno Kiefer (1923-1987), com músicas para flauta doce e violão; Gaudêncio Thiago de Mello (1933-2013), com obras para flauta transversa e violão, arranjadas por Daniel Wolff; Fernando Mattos (1963), com obra original para trio de flautas doces. Também ocorrerá a estreia da obra “Milonga da Mina”, de Mattos, escrita especialmente para este recital.




Clássicos na Pinacoteca
FERNANDA KRÜGER CONVIDA FLAUTISTAS

Pinacoteca Ruben Berta
Rua Duque de Caxias, 973 - Centro Histórico - Porto Alegre
16 de outubro de 2018, terça-feira, 18h30
ingresso:  contribuição espontânea (lotação: 50 lugares)

Clássico e contemporâneo na Pinacoteca Aldo Locatelli



 Em pleno Centro Histórico, a “Prefeitura Velha”, como é popularmente conhecida a centenária edificação onde está a Pinacoteca Aldo Locatelli, vai receber duas novas exposições que darão o pontapé inicial do 32º Festival de Arte de Porto Alegre.

EMILIO SESSA
tempo de lembranças

Gôndolas de Veneza, sem data. óleo sobre tela.
35x20cm

A motivação desta mostra é evidenciar o perfil artístico do italiano Emilio Sessa (Bergamo, 1913-1990) e também comemorar os 10 anos do Instituto criado para homenagear este pintor que residiu no Brasil de 1948 a 1965.  Serão apresentadas paisagens urbanas, cenas rurais, marinhas e naturezas-mortas executadas tanto no período em que aqui esteve, como na sua volta à Bergamo.
Emilio Sessa é mais conhecido pela pintura mural realizada em igrejas no Rio Grande do Sul, para onde veio, mais especificamente para Pelotas, com o propósito de realizar os murais da Catedral de São Francisco de Paula. Para acompanhá-lo, convidou o conterrâneo Aldo Locatelli, com quem trabalhou em outras obras. Fez seus estudos na Escola de Arte Aplicada Fantoni e na Oficina de Arte de Fermo Taragni, em Bergamo, em companhia de Aldo Locatelli. Contudo, a familiaridade com a arte sacra já vinha desde a infância, quando auxiliava o pai, decorador de igrejas.
As suas experiências de vida, consolidadas em lembranças, tornavam-se motivações transpostas para as telas, onde o artista se valia da memória afetiva, como é possível constatar em Inverno em Veneza e Gôndolas de Veneza. Tratando-se de obras realizadas em Porto Alegre, era, portanto, a Veneza que havia conhecido e que permanecia na memória. Assim, conservava a Itália presente em sua vida, como se pode constatar nos trabalhos desta mostra.
Acompanhando o conjunto de seus trabalhos, percebe-se de imediato a existência de vínculos diretos das vivências em Bergamo e arredores. Certamente o fazia também pelo prazer do tema, como é o caso da Porta de San Lorenzo. Esta é uma pintura executada com cores fortes, enfatizando a ostentação de sua importância temática. Por ser a entrada da cidade antiga, mostra que, historicamente, ultrapassar o pórtico significava ser aceito pelos cidadãos. Tal imponência transparece no quadro.
As obras expostas abrangem o período aproximado de trinta anos, e nesses transparecem as mudanças ocorridas. Na tela Città Vecchia, tendo como ponto de atração a escadaria de acesso à cidade antiga, o pintor equilibra a composição com a vegetação, onde os ciprestes em movimento trazem para a tela a presença real do vento. As copas das demais árvores acompanham o mesmo movimento.
De fato, Emilio Sessa é herdeiro direto da clássica figuração italiana e claramente uniu a sensibilidade à habilidade e à técnica em composições exemplares.

Città Vecchia, 1974. óleo sobre tela. 44x53cm

Inverno em Veneza, 1951. óleo sobre tela . 30x27,5cm

Porta de San Lorenzo, sem data. óleo sobre tela. 20x30cm




ACÚSTICOS E ELÉTRICOS
aparelhos sonoros de Chico Machado


A exposição apresenta a produção recente de objetos sonoros de Chico Machado, cuja última individual realizada em Porto Alegre foi em 2013. Artista plástico, performer, músico experimental e professor do Departamento de Arte Dramática do Instituto de Artes da UFRGS, Chico Machado é um pesquisador que, em sua trajetória iniciada em meados da década de oitenta, atuou e atua nas áreas das histórias em quadrinhos, do desenho, da pintura, do vídeo, da escultura, da performance, da música e do teatro. A sua produção atual, apresentada nesta exposição, reflete a multiplicidade de meios e linguagens artísticas entre as quais transita e o universo de investigação que permeia as suas práticas.
Muitos dos dispositivos sonoros oferecidos ao público nesta exposição foram elaborados para serem utilizados em performances. A circunstância da performance é distinta da circunstância expositiva, pois o uso controlado que o artista confere aos aparelhos na situação da performance, a exploração máxima de suas capacidades, recursos e limitações nem sempre são possíveis de serem oferecidos e compreendidos pelo público. Além disso, temos uma compreensão culturalmente e historicamente construída sobre os modos como devemos nos comportar em exposições das artes ditas visuais. É só para olhar? O público pode realmente tocar nos objetos? E em quais partes pode tocar?
Pois bem, nesta exposição, para ouvir o visitante terá que tocar, pois a dimensão sonora da experiência que os objetos oferecem é tão importante quanto a experiência visual.



Pinacoteca Aldo Locatelli / Paço dos Açorianos (“Prefeitura Velha”)
Praça Montevidéu, 10, Centro Histórico – Porto Alegre


visitação: 10 de outubro até 23 nov 2018 / seg a sex, das 9h às 12h e das 13h30 às 18h
informações: (51) 3289-3735 / acervo@smc.prefpoa.com.br
gratuito

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Novas exposições na Pinacoteca Aldo Locatelli



 


Na próxima quinta-feira, 02 de agosto, serão inauguradas na Pinacoteca Aldo Locatelli três exposições de artes plásticas cujo foco é a emergência de artistas a partir da luta cotidiana para potencializar os próprios talentos, superando dificuldades e conquistando espaços no sistema das artes.

Com curadoria de Charlene Cabral, o instigante Porão do Paço dos Açorianos, sede da Pinacoteca, receberá a exposição dos artistas selecionados pelo PRÊMIO ALIANÇA FRANCESA DE ARTE CONTEMPORÂNEA 2018, cujo resultado final será então divulgado oficialmente. O certame, que está na segunda edição, visa apoiar e incentivar artistas em início de carreira.

  Na Sala da Fonte será apresentada a exposição DESENHOS ESQUEMÁTICOS do porto-alegrense Leandro Machado. Vencedor da edição 2017 do Prêmio Aliança Francesa, Leandro foi contemplado na ocasião com o prêmio-viagem, desenvolvendo uma residência artística de dois meses no Centre Intermondes, em La Rochelle, França. Nascido em 1970, o artista utiliza como referência o seu entorno, elementos do cotidiano e tudo que encontra pelo caminho como matéria-prima para criação.

A terceira exposição, intitulada IMPROVÁVEIS - A FORÇA DA VOCAÇÃO NUM UNIVERSO DE IMPOSSSIBILIDADES, apresenta um conjunto de obras da Pinacoteca Aldo Locatelli e da Pinacoteca Ruben Berta. Para um dos curadores, Luiz Mariano Figueira: “O adágio popular ‘o que não nos mata nos torna mais fortes’ é a síntese da trajetória dos artistas que compõem esta exposição: vieram de um meio onde o imperativo principal era a sobrevivência econômica; a maioria não teve acesso a uma educação e/ou formação no campo das artes, sendo autodidatas (naïfs) que aprenderam sozinhos a ‘caminhar no céu’.”

Os artistas participantes da mostra “Improváveis”, são os seguintes:

Antonio Cândido de Menezes (Porto Alegre, 1828 - 1908)


Batista da Costa (Itaguaí/RJ, 1865 - Rio de Janeiro, 1926)

Garcia (sem dados biográficos)

Guma (Tapes, 1924 - Porto Alegre, 2008)

J.Altair (Porto Alegre, 1934 - 2013) / João Alves (Ipirá/Bahia, 1906 - Salvador, 1970)

Magliani (Pelotas, 1946 - Rio de Janeiro, 2012)

Manabu Mabe (Japão, 1924 - São Paulo, 1997)

Manezinho Araújo (Pernambuco, 1910 - São Paulo, 1993)

Otacílio Camilo (Porto Alegre, 1959 – 1989) / Paulo Chimendes (Rosário do Sul, 1955)


João Alves - Bahia - 1963 - Pinacoteca Ruben Berta - foto F.Zago-StudioZ




exposições:



PRÊMIO ALIANÇA FRANCESA

de arte contemporânea 2018





DESENHOS ESQUEMÁTICOS

Leandro Machado





IMPROVÁVEIS

a força da vocação num universo de impossibilidades





Pinacoteca Aldo Locatelli / Paço dos Açorianos

Praça Montevidéu, 10, Centro Histórico – Porto Alegre



abertura: 02 ago 2018, quinta-feira, 19h





visitação: até 28 set 2018 / seg a sex, das 9h às 12h e das 13h30 às 18h

informações: (51) 3289-3735 / acervo@smc.prefpoa.com.br

www.pinacotecaspoa.com

gratuito

Abertura das exposições na Pinacoteca Aldo Locatelli

Registro fotográfico das aberturas das exposições na Pinacoteca Aldo Locatelli, no dia 2 de agosto de 2018.



DESENHOS ESQUEMÁTICOS -  LEANDRO MACHADO



Foto: Joel Vargas / PMPA

Foto: Joel Vargas / PMPA


IMPROVÁVEIS - A FORÇA DA VOCAÇÃO NUM UNIVERSO DE IMPOSSIBILIDADES

Foto: Joel Vargas / PMPA

Foto: Joel Vargas / PMPA


PRÊMIO ALIANÇA FRANCESA DE ARTE CONTEMPORÂNEA  2018 

Foto: Joel Vargas / PMPA

Foto: Joel Vargas / PMPA

Foto: Joel Vargas / PMPA

Foto: Joel Vargas / PMPA

Foto: Joel Vargas / PMPA

Foto: Joel Vargas / PMPA

Foto: Joel Vargas / PMPA
 
Foto: Joel Vargas / PMPA